OS CRIATIVOS DE ÁFRICA ESTÃO A PROMOVER A SUSTENTABILIDADE PARA COMBATER AS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS



Em seu discurso de aceitação do Prêmio Nobel da Paz de 2004, Wangari Maathai, a falecida ativista queniana, falou do “papel central” da cultura na vida política, econômica e social das comunidades. Ela também acusou os africanos e o resto da humanidade de sua responsabilidade para com a Terra, dizendo: “Hoje nos deparamos com um desafio que exige uma mudança em nosso pensamento, para que a humanidade pare de ameaçar seu sistema de suporte à vida”.


Com uma população de mais de 1 bilhão e crescendo, a África é a que menos contribui de qualquer continente para as emissões globais de carbono, mas é a que mais perderá se as projeções para as mudanças climáticas forem realizadas. Isso é ainda agravado pelo fato de que, desde 1900, estima-se que a África Oriental tenha perdido mais de 80% da cobertura florestal, enquanto a África Ocidental perdeu mais de 90%.


Essa tendência será acelerada, pois a África já está passando por uma rápida urbanização, resultando em mais desmatamento e poluição do ar e dos corpos d'água. Com o crescimento da classe média africana, haverá uma maior aspiração por conveniência, incluindo o consumo de bens descartáveis, resultando em maior pressão sobre o meio ambiente.


A pandemia de coronavírus mudou quase todas as métricas do planeta. Mas o caos apresenta uma oportunidade de recalibração. Esta crise reafirmou a necessidade de criar práticas sustentáveis ​​apesar dos constrangimentos que emergem da pandemia. Aqueles que conseguiram aproveitar as oportunidades para produzir mais localmente e tomar medidas para fortalecer as cadeias de suprimentos locais promoveram mudanças positivas durante esse período tumultuado.


As indústrias criativas e a economia cultural da África desempenham um papel importante na proteção desse futuro e na garantia da sustentabilidade. As maiores áreas de inovação estão sendo testemunhadas no design de edifícios, moda e artes visuais.


O rápido processo de urbanização nas cidades africanas deixa espaço para que as influências artísticas e culturais locais sejam aproveitadas. A economia cultural pode facilitar a integração da sustentabilidade nos projetos urbanos, desde o uso de espaços públicos até o projeto de edifícios.


A mais prestigiosa honraria da arquitetura - o Prêmio Pritzker - foi recentemente concedida a Diébédo Francis Kéré, um arquiteto burkinabè-alemão conhecido por estruturas engenhosas e resistentes ao clima, que se baseiam nas melhores práticas arquitetônicas históricas de seu país de origem, Burkina Faso.


Outro exemplo é o Gahanga Cricket Stadium de Ruanda, inaugurado em 2017. Foi reconhecido por utilizar métodos de construção sustentáveis. Ele ganhou prêmios por seu design distinto que combina o estádio com a área circundante e mescla críquete com o famoso terreno montanhoso de Ruanda.


Fonte: Q Africa

Imagem: Ruanda Cricket Stadium